O silêncio das universidades

Em momento de grave crise nacional, o povo espera algum pronunciamento das suas elites, principalmente no que diz respeito às possíveis alternativas de superação do mal-estar coletivo. Além da elite do dinheiro, tradicionalmente insensível a tudo o mais que não seja seus lucros e bem-estar, refiro-me neste artigo especificamente a outra elite. Diria que a verdadeira elite, as pessoas de saber reconhecido que se reúnem para ensinar, escrever e pesquisar nas universidades.

Os segmentos ainda organizados da sociedade, sindicatos e Igrejas, estão mudos, ou porque não sabem o que dizer ou porque não tem o que falar, o que é mais provável. Restam as universidades.

A universidade, com todos os seus problemas administrativos e financeiros, é o lugar privilegiado onde as mentes mais bem preparadas da nação se reúnem num convívio diário. Professores e estudantes estão calados frente à imensa canalhice que acontece no país com o governo, o congresso e o empresariado, todos embolados num conluio inaceitável e nojento. Roubam o povo, debocham do eleitorado, fortalecem suas posições de mando, concentrando ainda mais a renda gerada e o seu poder político e econômico.

Essa inaceitável situação nos conduziu a uma guerra civil que começou no Rio de Janeiro e deve se espalhar por todo o Brasil.

No meu tempo de universidade, no início dos anos de 1960, por muito menos os estudantes estavam nas ruas, e o governo, os políticos, o empresariado tremiam de medo. Os reitores e os professores, ou iam juntos ou lançavam manifestos, artigos nos jornais denunciando a esbórnia, clamando por um cessar da patifaria e eram ouvidos com atenção. Ajudavam na formação de uma opinião pública crítica e atuante.

Hoje as universidades, alienadas, mais preocupadas com suas colocações nos rankings de avalição ou com a sobrevivência das instituições, dão as costas à sociedade necessitada de orientação serena e segura. É irresponsabilidade histórica somada ao comodismo e à covardia.

As universidades confessionais traem sua missão evangélica de testemunho e de denúncia do erro social, em momento grave para a nacionalidade.

O Brasil, navio sem rumo, deve esquecer os faróis seguros que as universidades poderiam ainda representar. Os reitores, professores e alunos parecem não estar preocupados em navegar… Estão cuidando das suas verbas, artigos e diplomas que lhes garantam poder, prestígio e emprego, numa economia injusta e excludente aonde os que sabem menos serão cada vez mais explorados e dominados. E la nave va…


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