La la land: cantando estações

Musicais foram por muitos anos os motores da cinematografia norte-americana, especialmente entre as décadas de 1920 e 1950. Nomes como Fred Astaire, Gene Kelly, Ginger Rogers e Judy Garland se imortalizaram graças a esse tipo de produção. É imensurável a importância de filmes como Cantando na Chuva, de 1955, e Hello Dolly, de 1969, com seu figurino rebuscado, o jogo de luzes, o romance comedido e, claro, o sapateado arrebatador que provava a habilidade incrível de seus atores e atrizes.

Os anos seguintes, porém, tiraram o brilho dos musicais e os substituíram pelas grandes produções dramáticas e pelos clássicos de aventura. Hoje muito pouco se produz em musicais e, nos últimos anos, os que apareceram tiveram pouca expressividade, apesar de sua beleza, caso de Mamma Mia e Les Miserábles. La la land vem na contramão desse desinteresse, provando que os musicais ainda podem encantar os espectadores e os arrancar suspiros de quem nem sequer gosta deles.

E não por menos, esse filme se tornou uma das grandes revelações de 2016 e foi o maior premiado no Oscar 2017, com seis estatuetas. La La Land recebeu críticas muito positivas de uma série de especialistas e foi considerado um dos melhores filmes do ano passado. No Globo de Ouro de 2017, a obra obteve o recorde de mais prêmios conquistados, com sete impressionantes vitórias: melhor filme musical, melhor diretor, melhor ator, melhor atriz, melhor roteiro, melhor trilha sonora e melhor canção. Com uma atuação impecável de Ryan Gosling, cujo rosto impassivo e cheio de charme toma a tela, e de Emma Stone, com sua docilidade e beleza infantil que a todos encanta, La La land parece nos trazer de volta a um mundo fabuloso de música e romance, como o Xanadu de Olivia Newton-John. E como que coroando essa receita de sucesso, o fim não-de-todo-feliz do filme nos insere num contexto de realidade, mas uma realidade musical, pulsante e alegre, mesmo que com uma lágrima furtiva. É uma verdadeira revolução e, quem sabe, uma porta que se abre de volta ao passado, prometendo a volta de um estilo que jamais deveria ter saído de cena.

 

Gênero: Musical.

Hollywood, EUA, 2016. 128 minutos.

Direção: Damien Chazelle

Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, Finn Wittrock, John Legend, J. K. Simmons.

 



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