Fragmentado

Dentre os diretores cinematográficos mais lembrados de nossa geração, o indiano M. Night Shyamalan é certamente um dos mais icônicos, tendo seu nome já largamente associado a grandes produções do gênero suspense. Sinais, Fim dos Dias, O Sexto Sentido, A Vila e a Dama na Água são alguns dos filmes saídos de seu gênio, e cada um deles recebe como toque especial uma pequena participação do próprio diretor em um papel aleatório de poucos minutos, um cameo artístico que se tornou também sua marca.

Em Fragmentado, Shyamalan retoma com vigor suas histórias meio macabras, meio absurdas, em que os personagens são confrontados com situações surreais, e o fim é sempre uma reviravolta completa no enredo. A grande beleza desse filme vai além da direção. Está fundamentada na técnica incrível do ator James McAvoy, que encarna o jovem Kevin, ou Hedwig, ou Patrícia, ou a besta, ou ainda, 21 outras personalidades divergentes, todas dentro de um mesmo corpo, o qual altera mesmo sua biologia a cada nova encarnação da personalidade que o subjuga.

Baseado em casos clínicos reais de pessoas que sofrem distúrbios de personalidade, Fragmentado extrapola esse fato da medicina e cria um personagem com poderes quase sobrenaturais, um vilão meio homem, meio animal à solta pela cidade. McAvoy prova em sua interpretação o quanto está em forma e o quanto ainda é possível usar de seu talento, até então muito pouco percebido em seu Charles Xavier, personagem que interpretou em vários filmes, mas sem profundidade alguma. Fragmentado traz à luz o verdadeiro talento do jovem ator, e confirma a fama sinistra de Shyamalan como criador de contos fantásticos de horror e mistério.

 

Hollywood, EUA, 2017, 117 Minutos.

Direção: M. Night Shyamalan

Elenco: James McAvoy, Betty Buckley, Anya Taylor-Joy.

Gênero: Suspense.



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