Dunkirk

Em 1940, as tropas alemãs invadiram a França, precipitando uma furiosa reação do Império Britânico que, sabedor do perigo do avanço nazista na Europa, não teve outra saída senão auxiliar os combatentes da nação vizinha. Entretanto, a tática da Blitzkrieg, a guerra relâmpago alemã, acabou por minar as defesas aliadas, que se viram encurraladas e obrigadas a refugiarem-se de volta em solo inglês.

A salvação estava na real marinha britânica que, sediada no porto de Dunkirk, levaria de volta milhares de soldados isolados naquele perímetro, agora rodeados por um poderoso exército nazista que já havia tomado a França. Os incessantes bombardeios desses navios frustraram os salvamentos. A única chance daqueles soldados passou a residir em seus compatriotas que, sendo donos de pequenos barcos e lanchas, foram resgatá-los mesmo a um custo muito alto para si próprios.

Dunkirk revive esse cenário de horror e coragem com grande maestria. Os combates entre os icônicos aviões da época, os Heinkel e os Spitfires… o eleva à categoria de arte, e o detalhismo dos uniformes, navios e veículos é magistral. Evidentemente, isso tudo só foi possível por estar sob a direção de um gênio, o visionário Christopher Nolan, reconhecido mundialmente pela crueza e realismo de suas produções (Inception, Interestellar, e a trilogia O Cavaleiro das Trevas).

Nolan escolheu para seu elenco alguns dos atores que já haviam trabalhado com ele em outros filmes, como Cillian Murphy e Tom Hardy, ambos em execuções fantásticas de seus papéis. O premiado Mark Rylance também recebeu um papel de destaque, ainda que não pareça tê-lo desempenhado com grande brilhantismo.

Como novidade, vimos o jovem Harry Styles, performista da banda One Direction, fazer sua iniciação no cinema – trabalho em que mostrou-se bastante sóbrio e dedicado, provando que ainda terá muito a oferecer em Hollywood. O conjunto de atores e da direção produziu um filme impactante, pungente, carregado de história e beleza.

Como tudo aquilo que Nolan faz, Dunkik termina com um sabor agridoce, uma conclusão anticlimática que leva o expectador a conjecturar sobre o possível destino dos personagens, sobre a realidade do que viu e a poética por trás da irrealidade. E nesse caso, da guerra total em sua cruel realidade. As críticas iniciais ao filme foram positivas, e as bilheterias dos EUA tem sido um sinal motivador de que provavelmente temos um candidato de peso ao Oscar 2018. Resta-nos aguardar para ter certeza, mas, a julgar pelo que se viu, é uma aposta com grandes probabilidades de sucesso.

Dunkirk é um filme que merece ser visto e torna-se desde já um dos grandes a figurar na lista de obras essenciais de se ver para melhor conhecer a 2ª Guerra Mundial, ao lado de épicos como A Lista de Schindler, O Resgate do Soldado Ryan e Pearl Harbour, entre tantos outros.

 

Dunkirk, EUA, 2017

Drama, Guerra. 121 minutos.

Direção: Christopher Nolan.

Elenco: Cillian Murphy, Mark Rylance, Tom Hardy, Kenneth Branagh, Harry Styles.


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