Comidas e Viagem I

Se existem duas coisas que combinam perfeitamente é comer e viajar. Faço parte da categoria de pessoas que aproveitam as viagens para conhecer, provar e degustar pratos típicos, restaurantes de raiz, comidas autóctones, receitas antigas.

Fujo do circuito turístico, dos restaurantes estrelados, das dicas de revistas e guias de viagem. O que me encanta é conversar com as pessoas e descobrir quais são os lugares frequentados por elas, onde estão os restaurantes mais antigos, observar onde tem muita gente, aceitar convites para festas de padroeiros do lugar, que é um verdadeiro manancial de informações e comidas boas.

Na minha última viagem à Itália, aproveitei para conhecer e explorar a região das montanhas do Vêneto, não sem antes ter passado pela sereníssima Veneza, mesmo que muito rapidamente. Minha última parada antes de subir as montanhas Dolomitas foi em Mestre, cidade situada no continente, em frente às ilhas de Veneza, para um almoço de frutos do mar, preparados “alla regola”.

O menu degustação, composto de diversas porções servidas em pratos e travessas de louças antigas, foi regado a um legítimo Prosecco de Valdobiadene, muito gelado, harmonização ideal que valorizou os sabores e texturas dos pratos.

Regalei-me com vieiras gratinadas, mariscos, polvinhos em vinagrete, lulas empanadas, peixe escabeche, lagostins grelhados na manteiga, camarões ao bafo com maionese, salada de atum, anchovas com legumes agridoces, risoto de frutos do mar. Para terminar, biscoitos savoiardi com zabaione, café expresso e a conta, que foi excelente em custo x benefício.

Super satisfeita embarquei no carro e tomei o rumo das montanhas, sentindo o ar marítimo ser substituído pelo ar das montanhas. Sai o sal, entra a madeira, o cheiro de folha, de terra. As montanhas tiram o fôlego com sua beleza. Árvores, rios, lagos, muito verde, bosques com cogumelos, frutinhas, bagas, castanhas. Tudo isso retorna à mesa, farta e forte, em pratos de massas, ensopados com carne, polenta, strudel de carne, o pastin com repolho, sopas e caldos substanciosos e perfumados, carnes assadas e recheadas, caças, queijos de cabra e ovelha, batatas e feijões.

Mas um dos pontos altos, sem dúvida, foi a carne de cavalo. Outras vezes já havia me deparado com a oportunidade de experimentá-la, mas foi em Belluno, num antigo restaurante junto à estação ferroviária, especialista nessa iguaria, que a oportunidade virou realidade. Escolhi uma “tagliata” – carne grelhada ao ponto e fatiada – com batatas fritas, excelentes por sinal, já que a região é produtora de batatas, e uma salada verde.

Adorei. Já haviam me dito que a carne de cavalo é adocicada, dura, diferente. Achei super saborosa, macia e apetitosa. Voltei dias depois para repetir. Valeu a experiência.

Um abraço e até a próxima!

 

 



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