As ideologias

Entre outros modismos da política atual, ressaltam a exaltação da boa gestão e a aparência dos políticos: o político adequado é aquele que oferece uma eficiente gestão e tem uma boa imagem. A visão do futuro da história que estamos a construir, bem como a forma de organização e de funcionamento da sociedade que estamos moldando, acreditando nos pressupostos éticos da democracia, da liberdade, da justiça, da sacralidade da vida, da preservação ambiental e do humanismo, parece não serem mais considerados como prioridades do pensar e da ação política.

As poucas ideologias políticas consistentes, que ainda sobrevivem, surgiram na segunda metade do sec. XIX e foram se aperfeiçoando com adaptações de suas propostas à evolução social, ou persistem na ortodoxia original e estão estagnadas. Num e noutro caso, cada vez mais os povos estão se afastando de ideias e pressupostos filosóficos e abraçam o pragmatismo, que tem muito mais a ver com resultados imediatos do que com os sonhos de, progressivamente, construir sociedades justas e livres, mais humanas.

Três correntes políticas maiores se apresentam aos povos, como propostas para garantir progresso, segurança e felicidade aos cidadãos e cidadãs vivendo em sociedades: o capitalismo, privilegiando a liberdade na orientação das decisões econômicas, políticas e sociais, sinalizadas pelo mercado; o marxismo, privilegiando o disciplinado coletivo estatizado, interpretando suas prioridades pela liderança do partido único; e a social democracia, que procura assegurar a liberdade pessoal e a do mercado, garantindo a proeminência das iniciativas sociais, sem recorrer à imposição de suas propostas de trabalho nem deixar que o mercado livre imponha suas decisões automáticas sem a supervisão do Estado, responsável pelo bem comum.

Essas ideologias obrigam, sempre, a elaboração de projetos institucionais, econômicos e sociais adequados à sua visão do mundo, e são levadas à execução por pessoas pressupostamente competentes, capazes de uma boa e honesta gestão. Os detentores do poder político, conquistado segundo as normas que orientam as práticas democráticas, apontam as prioridades para que a sociedade e o Estado possam se organizar para alcançá-las de forma competente.

Boa gestão, competência e honesta elegância no proceder, dignidade, são os instrumentos de trabalho e os requisitos morais mínimos exigidos de todos os servidores públicos, quaisquer que sejam os governos a que servem. Não são objetivos de um partido político.


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