Agora em inglês

Li um excelente artigo sobre o futuro das sociedades, face ao extraordinário desenvolvimento científico/tecnológico: “Will Democracy Survive Big Data and Artificial Inteligence?”. Composto por nove autores e publicado pela Scientific American. Imperdível. Com grande importância para o futuro de todos nós.

Não posso deixar passar a oportunidade sem fazer um pequeno registro. Em 2000 escrevi o livro “Por uma Ordem Social Solidária” (Edições Loyola). Foi lançado na PUC-RIO, onde, na época, trabalhava. Cerca de 80 pessoas, no máximo, o leram. Fui taxado de ingênuo e desinformado (negava a possibilidade de o setor terciário, os serviços, absorver a maioria dos trabalhadores excedentes da indústria e da agropecuária, afastados pela tecnologia, que se impunha com rapidez desde o final do sec. XX).

Dizia, então, que a tecnologia desempregava, principalmente com o progresso que já se percebia, no início do milênio, da informática, da internet e da robótica. Acrescentava que os sistemas políticos e econômicos não estavam preparados nem pensando sobre a nova crucial questão social – não tinham alternativas para os novos problemas que estavam sendo propostos pela acelerada modernidade cientifica e tecnológica. Apontava, como continuo apontando, a Doutrina Social da Igreja Católica como um caminho a ser considerado, daí a questão central do livro – a necessidade de um mundo densamente solidário. Foi o que mais incomodou, como ainda incomoda, o grupo de pretensos “cientistas sociais” que lê resumos, sem se preocupar em pensar nas exigências do novo futuro.

Esse grupo continua afirmar, com a arrogância de sábios autointitulados, ser uma bobagem a tese – uma falsa questão – não documentada com dados confiáveis. Não levaram em conta, como ainda continuam a não considerar, que muito da percepção do futuro das sociedades, que está sendo decidido nos nossos dias, também pode e deve ser fruto da reflexão, inteligente e interdisciplinar, sobre a experiência histórica, além dos necessários dados estatísticos e estudos sociais que começam a apontar o que descrevi no ano de 2000. A leitura de bons autores de ficção científica, como Júlio Verne, Bradbury e Asimov, além de divertir ajuda abrir as mentes para as surpresas do futuro que souberam intuir, com razoável acerto, apenas com o uso da observação inteligente.

O artigo citado é importantíssimo e deve ser lido com atenção. Uma pena que os políticos não se interessam pelo que é realmente prioritário e decisivo para o futuro da humanidade. O artigo aponta para um futuro não tão longínquo, por volta de 2070, onde um provável 7% da população mundial, bem formados educacionalmente, é que contarão para o prosseguimento da tradição humanista. O que fazer com os outros 93%? Teremos uma ditadura do saber? Vamos tentar perseguir e limitar o progresso científico/tecnológico? Vamos reconhecer que as Igrejas cristãs históricas e as orientais terão um grande e decisivo papel a desempenhar na solução dessas questões?

Estamos inertes esperando o inevitável sem sequer debater a matéria.

A solução, no meu já antigo entendimento, estará em sistemas políticos de convivência solidária, fundados na recuperação de uma correta e profunda perspectiva ética, fundada na crença da transcendência da Pessoa e na Lei Natural, presidindo as relações humanas das comunidades de trabalho, das famílias, das sociedades e das relações internacionais.

Fonte: Publicado em 5/6/2017 no Blog Diário do Poder de Brasília/DF


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